Santa Bárbara bendita Que no céu está escrita Com papel e água benta Nosso senhor nos livre desta tormenta
Santa Bárbara se vestiu e se calçou Ao caminho se deitou Jesus Cristo a encontrou e lhe perguntou: - Onde vais Bárbara? - Vou a Jerusalém, arrumar esta trovoada Onde não haja pão nem vinho Nem flor de rosmaninho
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Não é que a saiba de cor, mas às vezes, quando ouço trovejar, vem-me à ideia esta ladainha que os mais antigos diziam repetidamente enquanto os trovões estoiravam por cima de nós e eu sem saber onde me meter. Já não tenho ideia se o cheguei a fazer ou se era porque os mais velhos diziam, que metendo-se debaixo dos grossos e ásperos cobertores da cama, ficávamos mais protegidos.
*********************************************************************** Fotos da época não tenho, mas os aparelhos utilizados nesse tempo ainda aparecem, porque há pessoas que tiveram a boa ideia de os guardar. No principio dos anos sessenta ainda eram três : o sr.Augusto, o Marcilio e o Eliseu , a dividir a clientela entre eles. Havia os que tinham barbearia , mas também havia quem fizesse este trabalho em casa. Uma mesa para por o material, uma cadeira, as ferramentas que aqui vemos em cima, não esquecendo um espelho (isso era muito importante para mostrar o trabalho acabado) e a barbearia estava montada. Ir ao barbeiro ao domingo de manhã era quase um ritual, vestia-se o fato dos domingos com rachinha atrás e tudo, camisa branca de"TV"nylon, camisa interior de tipo renda.Depois era a passagem pelo barbeiro e a seguir, a taberna da Sra. Agostinha ou do Sr. Manuel para beber o meio quartilho ou uma aguardente e a hora da missa chegava. Nessa altura a missa no Terrenho era sempre a ultima das três freguesias onde o Padre dizia missa :Torre, Castanheira e Terrenho.
Quando saímos do povo, eu e o( meu guia) estávamos convencidos que era uma campa, mas depois de passar uma boa meia hora a tirar terra, descobrimos o que aqui temos à vista, mais um lagar, este é là para os lados da fraga da raposa.
Confesso que a leitura não é fácil, mas é uma cópia do documento da época, 1689 Conta a historia de um padre do Terrenho que foi condenado à prisão por gostar do alheio.
O Ortografo já mudou, mas estas coisas, ainda não mudaram muito desde essa época.
Esta tem a ver com o TERRENHO *************************************
O Padre Fernão João, natural de Terrenho, em 1689 “confessou culpas de vesita” que “sendo casado, anda há muitos annos publicamente amancebado e por respeito da cúmplice trata muito mal sua mulher não fazendo cazo della nem de seos filhos tão incorregivel neste crime que he já quinta vez”, sendo condenado em 15 dias de cadeia “por ser cazado e espererar nelle emenda”e a oito mil réis para as obras da sé e merinho -geral Verifica-se que as penas pecuniárias e as de degredo eram as mais frequentes nos anos oitenta do século XVII na diocese de Viseu, com um número superior a uma centena de indivíduos. Só cerca de uma dezena de indivíduos foram obrigados a pagar apenas as custas judiciais. Igualmente, só um número diminuto de réus foi alvo de perdão episcopal: estes casos tinham a ver com fragilidade da prova feita em tribunal ou com especial intercessão do bispo.
De notar, que a pena de prisão foi igualmente pouco administrada, o que revela não era tida como verdadeira condenação. Apenas um indivíduo foi condenado à pena de cadeia. Tratou-se do já referido Fernão João, da freguesia doTerrenho, condenado em Março de 1689 a 15 dias de cadeia “por ser cazado e esperar nella emenda” e oito mil réis para as obras da sé e merinho geral. ******************************** Quando estas coisas aconteceram, a igreja actual ainda não existia, ela foi construída no século 18