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dimanche 1 septembre 2013

Sr. Armando- O Sapateiro do Terrenho

O sapateiro era um profissional que consertava calçado, fazendo alguns remendos, punha meias-solas, saltos, chegando a fazer sapatos, sandálias e botas por medida.
No Terrenho, eram dois: o Sr. Armando, com oficina no largo da Aldeia Nova, e o Sr. Alfredo,que  tinha oficina na casa onde morava no cabeço. 
Cada um deles tinha os seus clientes habituais, alguns vindos de terras vizinhas e até de mais longe.
O cenário das suas pequenas oficinas era o mesmo. A um canto, um molho de sapatos e botas à espera de concerto, com indicação do arranjo pretendido escrita a lápis sobre as solas. No outro, uma prateleira com as obras acabadas, à espera de quem as viesse levantar, e no outro, ainda, o Alguidar de demolhar a sola, cheio de uma aguadilha negra, de odor característico. A meio de uma das paredes, além da tradicional máquina de coser, havia a cadeirinha baixa onde se sentava o único ocupante do espaço à frente do qual uma banqueta, de tamanho reduzido, punha à disposição do mestre o essencial das suas ferramentas, com destaque para o martelo de peta larga, a turquês de pregar, a grosa, a faca afiada como um bisturi, as sovelas e os ferros de brunir. No chão, ao alcance da mão, a pedra de bater a sola, feita de um grosso calhau rolado, a forma de ferro de três posições e a caixa compartimentada, contendo os vários tipos de pregos usados no ofício.( O sr. Armando tinha sempre à mão as duas muletas que, para que o conheceu sabe que ele era coxo de uma perna. ) 
Ainda no chão, espalhados por todo o lado, acumulavam-se os pedaços de sola e cabedais rejeitados, restos de solas velhas e de tacões usados, outros desperdícios e pregos velhos e torcidos, inutilizados.

( E preciso dizer que o sr  Armando trabalhava a maior parte do tempo no balcãosito que ficava à entrada da sua casa, o lugar onde o vemos na foto era do outro lado da rua, isto antes de existir o que agora chamamos a avenida.)



Com a qualidade de uma foto daquela época podemos ver alem do Sr Armando sapateiro  o Jorge Ferreira, que fez o favor de ceder esta e muitas outras fotos que já foram publicadas no blog, para ele um muito obrigado em nome de todos os que gostam de recordar as coisas  nossa Terra.

Como podem ver atrás é o quinteiro do Pantéra e do meu avo José Joaquim. Mas tudo isto levou uma grande volta como todos nos sabemos.

vendredi 1 juin 2012

AZEITEIRO OU PETROLINO

  O Azeiteiro com a carroça e o macho.
                                      Em  1960, era mais ou menos assim






 Da rua vinha  um som agudo de corneta. Era o Azeiteiro do Aveloso com uma carroça puxada por um macho, que se aproximava pela estrada de terra batida. Um bando de rapazes e raparigas aparece aos pulos e a gritar: "Olha o Azeiteiro! Olha o  Azeiteiro !" 

O Azeiteiro e o" Carrão "do petróleo da SACOR que vinha fornecer o petróleo às mercearias eram as grandes atracções dos mais pequenos.
 

 

A primeira paragem do azeiteiro  era na aldeia nova, depois no Adro e ultima era em frente da casa do Carlitos.


As mulheres juntam-se,   “Bom dia, ti João”. O Ti João desce da carroça. Uma das mulheres traz um garrafão de cinco litros e pede petróleo. O Ti João puxa da marreca, que é uma vasilha com um bico e um funil, enfia o funil no gargalo do garrafão e vaza o tal líquido corde-rosa . 
Outra mulher traz uma garrafa e pede meio litro de azeite. Azeite? Então um petrolino não vende só petróleo? Que mais venderá? Dava-mos a volta à carroça. Olha! Até tem chapa de matrícula!  Entretanto o Ti João tinha pegado na marreca do azeite, com o respectivo funil, e vazado azeite da medida para o funil com todo o cuidado, não fosse perder-se alguma gota! Depois guardou a medida dentro da marreca. 


A cliente seguinte quer um quilo de sabão. E também solta um  “Dê-me lá um quartilho de aguardente”. O Ti João pega na faca e corta uma porção da barra de sabão, que pesa na balança. Acertou! 
Tem muita prática. Depois, com um medidor, avia a aguardente de um barril. 

Depois de estar tudo aviado o petrolino puxa a cabeçada, e a mula sacode a guizeira que traz ao pescoço, fazendo tilintar os guizos. A carroça retoma a marcha e lá vão até à próxima aldeia que neste caso era a Castanheira , anunciando a sua presença a toques de corneta.

Com o tempo as coisas foram-se modernizam-do e por fim o sr João, trocou a carroça e o macho por uma carrinha FORD e ai havia muitas mais coisas para vender, alem do petróleo, azeite sabão....
trazia também mercearia.álcool etílico, piassabas, vassouras, penicos,  palha de aço.........

                                                                           

mardi 31 janvier 2012

OS SERRADORES


Serravam barrotes 'caibros',cumeeiras, ripas, falheiras,falheira é a primeira tábua que se separa de um toro ou tronco quando este se serra longitudinalmente em várias tábuas, e que é sempre falha 'arredondada' na face externa.",  grandes pranchas, de tabuões, etc, Se alguém precisava de madeira lá iam eles transportavam os seus pontais para fazer a burra,o fio com tinta  para marcar os cortes, os machados e a sua grande serra, não esquecendo a mochila.

 (Possso estar a abrir as tábuas do meu caixão. Era a sina de Serrador).

Agradeço ao sr. Elio Matias pelo desenho :

samedi 14 janvier 2012

NO TEMPO DO MINÉRIO " VOLFRÂMIO " NO TERRENHO 1940 - 1950




Havia nesta altura,  várias equipas no Terrenho para ir ao minério e pelo que contam chegava mesmo a haver rivalidades entre elas.

De uma destas equipas faziam parte.


Abel da graça, António Mateus, António da Cardosa, Franklin, Maria do loiceiro, Teresa da Varela,Carlos loiceiro, Carolina Catarro,Maria José ( Do sr. Miguel )Belarmina e Maria Olivia ( do José Barbeiro )Maria das Neves, e Maria Amélia.
Pelo que me contaram a Sra. Maria Amélia cantava uma canção para animar um pouco a malta, quando as coisas não corriam bem. 
Que era assim.

Tenho uma pulga no peito

Tenho outra no umbigo

Tenho outra mais abaixo

Lá onde está o mundo perdido

A ultima frase variava, metia por vezes palavras que é melhor não dizer aqui, a autora ainda se deve lembrar



samedi 17 décembre 2011

FARRAPEIROS E TECEDEIRAS

A tecedeira era uma senhora que passava pelas ruas da aldeia a perguntar se alguém tinha farrapos para tecer e noutros tempos os clientes não faltavam, quando o burrito já tinha carga suficiente lá ia ela até aos Esporões,  ou  Mendo-Gordo, esta  penso que foi a ultima a fazer este trabalho.

O Farrapeiro era (é) um homem que vende e compra farrapos,
Farrapo é um pedaço de tecido velho e sem utilidade.

Sem utilidade, propriamente, não: o farrapo, os restos de tecidos, eram reaproveitados , foi uma das primeira formas de reciclagem..

Os farrapeiros compravam trapos, farrapos, sucatas, peles, cornelho, enfim,tudo o que houvesse em desperdício. O destino dos farrapos eram à data as tecedeiaras de mantas de farrapos ou nagalhos como alguns lhes chamavam, ou então para  muitas fábricas de lanifícios da Covilhã para estas fabricarem mantas chamadas «mantas de orelos», mantas de farrapos.
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 O Farapeiro cantava um pregão, era assim.
(Há farrapos, cornelho, ou peles para vender ?)
  

Os novelos feitos de trapos




Aqui estão alguns exemplos do que se podia e pode ainda fazer-se com os trapos



 

Este Tapete foi feito à mão e com trapos do Terrenho

O mesmo que vemos em cima, virado ao contrário

Passadeira

jeudi 28 avril 2011

CAPADOR


Gaita do Capador

  O capador tinha uma gaita muito parecida com a do amola-tesouras e o som até podemos dizer que era o mesmo.
Os lábios percorriam devagar num sentido e apressadamente no outro, provocando um arrepio nos putos que o ouviam.
Não, o som não era desagradável, mas na aldeia diziam que era o capador e que vinha capar (castrar para os mais modernos), os meninos que não se portassem bem!!! Nesse caso havia poucos que tinham coragem de se aproximar do capador.
Modelo de Faca de Capador muito antigo


modelo de faca moderno


samedi 16 avril 2011

CALDEIREIRO

foto 1941
      

Caldeireiro à pooooorta!- era um homem vestido com um fato de ganga meio enxovalhado, que dava a volta ao povo a bater com um martelo numa sertã.
As senhoras que tivessem  tachos ou panelas com pequenos furos,panelas com falta de pernas, pratos e tachos de barro partidos, eles tapavam com um pingo de solda, punham uns 'gatos,' rebites ou cravos (não sei qual será o mais apropriado destes três nomes), ponham pernas novas nas panelas, deixando-os de novo aptos para servir.

Exemplo, uma panela concertada pelo caldeireiro

mercredi 6 avril 2011

Cegos papelistas



Vem de muito longe a memória dos cegos papelistas que, por mercados, feiras e romarias
e também pelas aldeias, como era o caso do Terrenho.   
Apregoavam casos estranhos,como por exemplo :
A mãe que matou os três filhos à machadada; a costureira que descobriu que o noivo a enganava e se matou no dia do 

casamento; a Maria da Graça que foi enganada pelo Manuel
Celestino e atirou o filho recém-nascido para o telhado; o coveiro de Pínzio que desenterrava os mortos para lhes tirar a roupa; sucessos inauditos e relatos noticiosos, às vezes prognósticos e adivinhações.

 Aqui podem ver uma copia desses panfletos.
 Se não consegue ler, clique 2 vezes na imagem e uma vez quando aparece

 
 Mesmo estas coisas precisavam do carimbo " Visado pela censura"


FONTE:http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/
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No tempo em que passavam pelo Terrenho " os mais velhos ainda se lembram" essas pessoas traziam os filhos com eles, que, de tantas vezes passarem pela aldeia,  chegavam a criar laços de amizade com as crianças da terra que adoravam aprender com eles as cantigas em pré-estreia.

 

vendredi 18 mars 2011

OS BARBEIROS NOS ANOS 60 - TERRENHO *















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Fotos da época não tenho, mas os aparelhos utilizados nesse tempo ainda aparecem, porque há pessoas que tiveram a boa ideia de os guardar.
No principio dos anos sessenta ainda eram  três : o sr.Augusto, o Marcilio e o Eliseu ,  a dividir a clientela entre eles.
Havia os que tinham barbearia , mas também havia quem fizesse este trabalho em casa.
Uma mesa para por o material, uma cadeira, as ferramentas que aqui vemos em cima, não esquecendo um espelho (isso era muito importante para mostrar o trabalho acabado) e a barbearia estava montada.
Ir ao barbeiro ao domingo de manhã era quase um ritual, vestia-se o fato dos domingos com rachinha atrás e tudo, camisa branca de"TV"nylon, camisa interior de tipo renda.Depois era a passagem pelo barbeiro e a seguir, a taberna da Sra. Agostinha ou do Sr. Manuel para beber o meio quartilho ou uma aguardente e a hora da missa chegava.
Nessa altura a missa no Terrenho era sempre a ultima das três freguesias onde o Padre dizia missa :Torre, Castanheira e Terrenho. 

dimanche 2 janvier 2011

Amola Tesouras, Amolador

A foto não foi tirada no Terrenho, mas é muito parecida com a imagem que alguns de nos ainda guardamos na memoria



 Amolador! - gritava um homem, seguindo-se uma música característica tocada numa de gaita de beiços. Ao mesmo tempo, empurrava uma jeringonça onde trazia entre outros, uma pedra de amolar. Quando alguém precisava de afiar facas ou tesouras ele impulsionava a roda através duma espécie de pedal. Arranjava também chapéus de chuva, substituindo alguma vareta partida.
 

Dizia-se naquela altura que a (gaita) do amolador anunciava chuva, mas nunca foi provado.